sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Prémio Vilalva


O Prémio Vilalva de 2008 foi hoje oficialmente entregue pela Gulbenkian ao Departamento do Património Histórico e Arquitectónico da Diocese de Beja, assinalando "o seu contributo para a defesa do património artístico da região".
Este prémio tem assinatura. Ou, melhor, assinaturas: a de José António Falcão, o professor de história da arte que dirige o DPHADB desde o seu nascimento em 1984, e a de D. Manuel Falcão, o bispo que o chamou para fundar um gabinete eclesiástico único no país.
Eram anos difíceis. O Baixo Alentejo perdia gente, a pouca que tinha, e a Igreja perdia fiéis, os poucos que tinha. Em consequência da dupla fuga, dezenas de igrejas, capelas e ermidas foram fechadas ao culto, por vezes longe de qualquer povoação. Muitas degradaram-se até à ruína ou foram pura e simplesmente pilhadas pelo tráfico de arte sacra.
José António Falcão fez do caos uma oportunidade. Recuperou o que podia, organizou cursos de conservação e restauro, fundou uma rede de museus paroquiais com as obras de arte sobreviventes, realizou um inventário do valioso e mal conhecido espólio da diocese, escreveu e editou monografias sobre os mais diversos aspectos do património local, organizou exposições, visitas e até um festival de música clássica para animar templos perdidos pela vasta geografia alentejana. E tudo isto sabe Deus (ou o Bispo) com que dinheiro...
O prémio com que hoje a Fundação Gulbenkian distingue este trabalho notável e silencioso não podia ser mais justo. Mas é também uma chamada de atenção para a responsabilidade da Igreja, dos particulares, do Estado, de todos nós, afinal, na defesa do património.
(Na imagem, a ermida de Nossa Senhora de Aracelis, em Castro Verde - um belíssima ilustração do que acabo de escrever.)

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