quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Jornalismo, ou talvez não




"1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público." 

in Código Deontológico dos Jornalistas (em http://www.jornalistas.eu)

É sabido que Castro Verde é terra de jornalistas, ou talvez não.

Todo o jornalista é, antes de mais um cidadão, investido de todos os direitos e deveres que assistem a cada um de nós.

Entre eles, obviamente, está o direito à livre opinião e expressão, que deve ser por todos respeitada.

No entanto, quando o "cidadão" veste por cima da sua condição a de "jornalista", então as coisas devem ser entendidas de outra forma.

Um dos jornalistas da terra, do qual me abstenho de pronunciar o nome em respeito ao cidadão, escreveu um texto, que assume na sua condição de profissional da comunicação social, no qual produz uma série de considerações não coincidentes com a verdade, e constituem meras extrapolações e especulações acerca de um futuro desenvolvimento de eventos que, a ocorrerem, acontecerão em sede própria, pelo que de difícil comprovação.

Trata-se de um texto em que, logo de início, não relata com verdade, o que se passou na última Assembleia Municipal em Castro Verde.

E não fala verdade, porque omite dois aspectos importantes.

O primeiro prende-se com o facto de, numa ordem de trabalhos com 12 pontos, em que foram analisadas outras tantas propostas, apenas uma não foi aprovada, devido à oposição dos eleitos da CDU.

Portanto, para uma oposição que vota contra as propostas do executivo, a coisa está um tanto ou quanto do avesso ...

O segundo, decorre do primeiro, porque omite o teor da declaração de voto que foi produzida e entregue pela bancada da Assembleia Municipal da CDU, onde ficou bem explicado o motivo da rejeição, e na qual foi deixado em aberto  o sentido de voto quanto a futura proposta do executivo municipal, sendo assegurada uma posição responsável por parte daqueles eleitos.

Já agora, em abono da verdade, e como o jornalista não soube, ou não quis investigar a matéria, a redução proposta pelo Partido Socialista, em campanha eleitoral, e em linha com as propostas apresentadas enquanto oposição, foi de 5 para 2%, não de 5 para 3%,  e não foi faseadamente, que isso já foi uma invenção após as eleições.

Depois vem discorrer acerca de um imbróglio criado pela Autoridade Tributária, e da falta de obrigatoriedade de notificação dos acertos que são efectuados oficiosamente acerca das verbas que a própria transfere, por via da lei, para as autarquias.

Mas, também omite, e aqui acredito que é por falta de trabalho de "sapa", que após detectar a falta de transferência das verbas de derrama, só passado algum tempo é que o executivo anterior conseguiu uma explicação do motivo.

E escamoteia que, quem está numa determinada posição de responsabilidade autárquica, tem que saber gerir a informação, não só no interesse da autarquia, enquanto instituição, mas também por forma a evitar o alarmismo, devendo sempre optar por informar apenas e só os dados seguros e fidedignos, os quais aguardavam  confirmação, não só por parte da Autoridade Tributária como do gabinete de fiscalistas oportunamente consultado.

Isto foi esclarecido em plena Assembleia Municipal pelo vereador Francisco Duarte.

Claro que tudo isto podia ser NOTICIADO com rigor se se tratasse de uma peça jornalística feita com profissionalismo e isenção, o que claramente, não foi o caso.

Ao invés, preferiu apenas ouvir um lado da história, aquela que mais lhe convém, de forma a agradar ao novo poder, à semelhança do que já faz com o poder de alguns dos concelhos vizinhos, provavelmente aqueles que lhe garantem o emprego.

Aliás, nada de novo, depois do desempenho no debate realizado entre candidatos, durante a campanha eleitoral. 

Quanto ao resto, nem sequer é de comentar, uma vez que o que se passa dentro da casa de cada um, apenas a cada um diz respeito.

Diz o povo e, mais uma vez, com razão: "não é o traje que faz o monge"; o mesmo se deve aplicar ás "carteiras profissionais" e aos "jornalistas". 

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