quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O que é que Belmiro de Azevedo tem a ver com Castro Verde?


Nada! Absolutamente nada!
O senhor faleceu, a assembleia da República votou um voto de pesar, com votos contra do PCP, facto com o qual não concordo - pode-se não propor o pesar, mas não se deve opor à manifestação de pesar dos outros, quanto muito, ser indiferente tal manifestação.
Voltando a Belmiro de Azevedo, que apesar de nem ter uma pequena banca do Continente no Mercado Municipal, actual ou futuro, não deixa de ter seguidores e fans aqui por estas terras mais a sul.
Alguns, pasme-se, que há alguns dias atrás se manifestavam copiosamente por causa da não aprovação da redução da taxa de participação variável proposta pela Câmara Municipal acusavam a CDU de não querer que os "mais necessitados" recebessem alguma devolução de imposto pela via da medida, agora mostram-se condescendes na interpretação da famosa frase “Diz-se que não se deve ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Eu não sei porque não. Porque se não for a mão-de-obra barata não há emprego para ninguém. Portanto, de facto é uma vantagem comparativa. Caso contrário, se a gente quer concorrer com potências que têm muito maior produtividade, é impossível pagar os salários de alta produtividade a trabalhadores com baixa produtividade.” que terá sido proferida pelo falecido, e nada encontram de ofensivo neste pensamento.
Ora, os beneficiários dos baixos salários, a que o senhor se refere como mão-de-obra barata são os necessitados. 
E são necessitados, por causa dos salários miseráveis que este senhor defendia serem essenciais para a competitividade das empresas.
Então e se colocarmos a questão desta forma: as pessoas recebem pouco, porque não são suficientemente produtivas, também será legítimo pensar que se se pagar salários justos - não altos nem baixos, mas apenas justos - as pessoas serão realmente produtivas mas, desde que o empresariado também contribua com o investimento necessário para que um trabalhador possa ser efectivamente produtivo no sentido de aumentar a competitividade da sua empresa.
Que se saiba, nas grandes potências económicas com quem o senhor pretendia competir, as pessoas não ganham salários miseráveis, nem trabalham em empresas equipadas com maquinaria do princípio do século passado.
Talvez aí, os trabalhadores possam ser remunerados condignamente, como profissionais e pessoas que são, e deixem de existir "necessitados" pretensamente à míngua de um ajudinha qualquer pela devolução de imposto, porque, infelizmente, os pensionistas do regime geral e os trabalhadores que ganham o ordenado mínimo nem auferem o suficiente para pagar impostos.
E quem não paga, não tem devolução de imposto!

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