terça-feira, 29 de setembro de 2009

Atletas

Permitam-me que conte aqui uma pequena história.

5 atletas fundistas participaram numa corrida, sendo que o que ficou em primeiro lugar obteve uma extraordinária vitória, deixando para trás todos os concorrentes, conseguindo o record nacional da modalidade.
Como é da praxe, os que ficaram com os três melhores tempos, subiram ao pódio, onde lhes foram colocadas as tradicionais medalhas de ouro prata e cobre, tendo os restantes recebido um prémio de consolação.
Passados uns anos, voltaram a alinhar os mesmos cinco atletas. Claro que durante esses anos de permeio nunca deixaram de treinar, sempre com o objectivo de ganhar ou, pelo menos, melhorar as respectivas marcas pessoais.
Nessa última competição houve algumas alterações.
O que havia conquistado o ouro, repetiu a proeza, mas com uma prestação extraordinariamente modesta, comparada com a anterior, de tal forma que o aumento do tempo despendido foi largamente superior à soma da redução dos tempos obtidos pelos seus concorrentes mais directos;
O segundo classificado, apesar de ter melhorado as suas marcas, não foi o suficiente para chegar ao topo do pódio, mas garantindo a medalha de prata, o que constituiu um desaire para o clube e seus adeptos, que face à notoriamente fraca condição física do atleta vencedor, alimentavam a esperança de conquistar o ouro.
A grande surpresa foi o terceiro lugar conquistado pelo que havia ficado em quarto lugar na anterior edição da prova, não tanto pela subida, mas pela melhoria, esta sim, extraordinária que conseguiu obter, com uma marca pessoal surpreendente, deixando os parceiros para trás;
O que ficou em quarto, era o anterior quinto, tendo feito uma prova também ela espantosa, reduzindo em cerca de metade o seu tempo, mas ficou àquem, muito àquem daquilo que muitos esperavam, ao ponto de se falar de uma transferência certa e eminente para a equipa do atleta vencedor;
Quanto ao que ficou em quinto lugar, e que era o anterior terceiro, melhorou os seus tempos, e até subiu levemente a sua cotação, mas o trambolhão do terceiro para quinto lugar acabou por estragar a festa e ofuscar esses feitos resultados positivos.
Claro que entre estes atletas existem diferenças salientes, designadamente relativamente aos equipamentos, aos apoios e aos incentivos que cada um tem garantido, mas nem sempre é nos ténis que está a vitória de um corredor fundista.

Esta história serve para, segundo o prisma desportivo, o único que alguns conseguem entender, comunicar qual a minha visão acerca dos resultados eleitorais do passado Domingo.

Foram resultados sui generis, mas de facto foi isto que aconteceu:

O maior perdedor foi o que ficou em primeiro lugar, o Partido Socialista/José Sócrates, o que não lhe retira a condição de vencedor in factu;

Aqueles que todos indicam como perdedores, BE/Francisco Louçã e CDU/Jerónimo de Sousa, apesar de tudo conseguiram reforçar as suas posições, um mais que o outro.

Aquele em que se apostava como vencedor, PSD/Ferreira Leite saiu verdadeiramente derrotado, apesar de reforçar também a posição, mas muito àquem do número de mandatos para poder fazer governo com o CDS-PP, sem Paulo portas, naturalmente.

E o grande vencedor foi, não o CDS-PP mas Paulo Portas, dado que para além deste nada mais existiu na campanha do partido, tendo conseguido obter todos os objectivos traçados à excepção de um: constituir governo com o PSD, sem Manuela Ferreira Leite, obviamente.

Os últimos quatro dos cinco partidos com assento parlamentar, no seu conjunto conseguiram uma vitória estrondosa sobre José Sócrates e o Partido Socialista retirando-lhes um pilar essencial no estilo de governação dos últimos anos: a maioria absoluta.

O Partido Socialista perdeu MEIO MILHÃO de voto e VINTE E CINCO DEPUTADOS. É obra!

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