Todos sabem que desde que comecei a escrever na blogosfera critiquei, e continuo a criticar Fernando Caeiros pela sua postura enquanto político e o seu carácter enquanto homem, até porque, pessoalmente, me considero atingido e integrante do grupo dos que ele conseguiu "linchar" politicamentee pessoalmente.
Também, como todos poderão verificar, desde que deixou a Câmara de Castro Verde a ele raramente me referi, quer em termos pessoais ou políticos.
Não quero com isto dizer que tenho mais legitimidade para o fazer agora, e muito menos o seu inverso.
Escrevo apenas porque creio saber separar as águas quando me refiro à obra feita e ao seu comportamento, principalmente nos últimos anos.
Castro Verde é, reconhecidamente, um concelho que se destaca pela positiva no cenário autárquico do Alentejo, e mesmo relativamente a muitos concelhos do resto do país, maiores e com maior capacidade financeira.
Apenas alguns cegos, de vista e de espírito, que não conseguem enxergar para além dos seus doridos cotovelos, não têm a capacidade de o reconhecer também.
E em tempo de embates eleitorais, chega-se ao desputério intelectual de questionar a qualidade técnica das construções edificadas no concelho ao longo de 30 anos, designadamente o betão, esse tão criticável material construtivo, que poderia, tão facilmente ser substituído pela alvenaria ou, quiçá, pela taipa.
E depois criou-se o mito de que os cofres municipais estiveram sempre cheios, a abarrotar, e que Fernando Caeiros se limitou, utilizando o termo utilizado à exaustão pelos seus detractores, a esbanjar o erário castrense.
Tanta gente esquecida de que, ainda a mina não produzia, já a rede de águas e saneamento básico atingia valores de cobertura invejáveis, mesmo a nível nacional.
Construiu-se estádio, complexo de piscinas, pavilhão gimnodesportivo, fórum municipal, cineteatro, biblioteca, mercado municipal, museus, centro coordenador de transportes, escolas, parques e jardins em todo o concelho, arruamentos, centros recreativos e culturais em todas as povoações, casas mortuárias, fornos comunitários, etc.
E esqueci-me de referir os cafés, que parecem causar tanta brotoeja a alguns, presumo que alguém que não conseguiu ficar a explorar algum deles, e que também se esqueceu de quando é que foram construídos. Seguramente quando não existiam tantos de iniciativa privada, passaria por lá muitas horas em amena cavaqueira.
Depois temos toda uma obra imaterial que se manterá no futuro através da cultura, dos apoios, das ajudas que se reflectem na vida de quem deles usufruiu, e que não podem ser contabilizados.
Os apoios concedidos a pessoas singulares e entidades colectivas que produziram obra e lançaram semente, como à Cortiçol e a José Francisco Colaço, aos Ganhões, às escolas, professores e alunos, aos artistas de Castro Verde, ao artesanato, às sociedades recreativas, filarmónica e desportivas, etc.
O apoio a entidades dependentes da administração central como o centro de saúde, as escolas, a GNR, que sem o apoio municipal não teria gasóleo para patrulhar o concelho, um tecto para se abrigar ou papel para fotocopiar.
A cooperação exemplar com a Igreja, designadamente na valorização do património.
O trabalho junto das entidades da administração central no sentido de trazer benefícios para o concelho, nomeadamente para conseguir instalar em Castro Verde a sede da Somincor, razão de ser da derrama pela qual agora todos aguçam o dente.
Isto é apenas uma pequena súmula do que foi a obra da equipa encabeçada por Caeiros.
Lá vão dizer que estou a dar graxa a alguém.
Não estou, porque as críticas que fiz, mantenho-as. Não posso é fechar os olhos à realidade.
Por outro lado, muitos há que pareceram ter estado a dormir durante estes anos todos, enquanto as moedas foram caindo pela beira telha para suportar os seus projectos, que calaram

32 anos a fio, sem se lhes ouvir uma propostazinha que fosse para melhorar o concelho, e que agora acordaram com todas as ideias do mundo e mais algumas.
Ah! Pois: a CDU fez bem, mas eles ainda podem fazer melhor!
Fraca gente com tão fraca memória.
Fernando Caeiros merece ser homenageado? Claro que merece. Mais não seja porque ninguém, seja quem for, e de que partido for, conseguirá fazer o que ele fez, sem meios e sem apoios, porque são tempos que já lá vão, de antes de haver CEE/UE ou Somincor, porque se continuasse a haver escassez de meios, seguramente não surgiriam tantos a querer ir para o lugar que Caeiros ocupou durante tanto tempo.
Roam-se com dor de cotovelo, que há coisas que nenhuma demagogia barata consegue apagar.