terça-feira, 14 de outubro de 2008

Feira de Castro 2008


Aí está a edição 2008da Feira de Castro, a maior feira do Sul, centenária e majestosa, ponto de encontro entre gentes de todos o país.


Em jeito de comemoração, vais ser re-activado o Blog Feira de CAstro, http://feiradecastro.blogs.sapo.pt/, até Domingo, após o que voltará a hibernar.


até lá, podem ir ao local fazer os comentários qaprouver a cada um, sem censuras (como é hábito) e sem constrangimentos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Indecências, Obscenidade e Pornografia

As teorias neo-liberais vieram defender a omissão do Estado no mercado, seja qual for: todo e qualquer mercado.

E, sob a a batuta do Sr. Bush, o Estado Norte-Americano foi fazendo o geitinho aos detentores do grande capital, designadamente os banqueiros e accionistas das casas de crédito, e desregulamentaram tudo o que havia a regulamentado, e que servia de meio de controlo do tesouro sobre a actividade bancária.

Deste lado do Atlântico, os seguidores do Sr. Bush, devem ter pensado: se aquilo com os "américas" resulta, aqui também deve render qualquer coisita, e vá de retirar o controlo do Estado sob a economia e a actividade financeira.

Entretanto, os off-shores foram nascendo como cogumelos, para onde foram canalizadas as mais-valias resultantes da especulação e da exploração que os bancos foram IMPUNEMENTE praticando.

E, para gerar mais lucro, nada melhor que inflacionar os bens que justificam os pedidos de crédito: o imobiliário.

Resultado, as garantias reais, ou sejam, os imóveis adquiridos com o crédito concedido "à barba longa", não valem os montantes que supostamente deveriam garantir. Daí existirem casas à venda abaixo do preço de custo, em diversos países, a começar pela nossa vizinha Espanha.

Como consequência, diversas casas que se dedicavam ao negócio da compra e venda de dinheiro, entraram em risco de falência, obrigando o Estado Norte-Americano a intervir.

Isto é de loucos, mas o governo americano fez aquilo que sempre condenou, e acusou de proteccionismo os Estados que o praticavam, e interveio fortemente no mercado financeiro, pasme-se, nacionalizando entidades financeiras, que passaram a ser controladas pelo Tesouro, o famoso FED.

Argumento do Sr. Bush: garantimos os depósitos dos clientes e a subsistências das entidades, e futuramente, serão privatizadas, se calhar com algum lucro.

Isto ainda foi mais escandaloso.

Do lado de cá do Atlântico, começaram a soar campainhas quando os governos belga e holandês decidiram seguir o mesmo caminho, e os liberais entraram em pânico.

Vá de reunir o G7, puxar as orelhitas ao Sr. Bush, dizer para não voltar a fazer coisas dessas, próprias do Vasco Gonçalves, esse perigoso comunista, e não de um presidente americano, ainda por cima republicano.

Plano Europeu: os Governos não injectam dinheiro nos bancos, ou seja, não os nacionalizam. Antes, preferem dar garantias, avales para empréstimos inter-bancários, que garantam a liquidez no sistema bancário.

Na prática, isto significa que, até determinado montante, os bancos centrais garantem perante as entidades de crédito, os empréstimos que estas efectuarem aos bancos das respectivas praças, pelo que, se algum banco falir, quem pagará estes empréstimos será o Governo do respectivo país.

Portugal não estava representado no G7. Não tem dimensão para isso, por muito que Sócrates se estique, e milhões de Magalhães que distribua.

Mas alinhou no plano: 20 mil milhões de euros em garantias bancárias para os bancos portugueses poderem comprar dinheiro no estrangeiro.

Para quê?

Para usarem como muito bem entenderem, porque nada foi determinado quanto à utilização deste dinheiro, pelo que poderá entrar no ciclo vicioso que gerou esta crise, nomeadamente, para empréstimos de mais casas de alto valor que, na realidade, não valem metade daquilo porque são adquiridas.

Não chegavam já as taxas de juro preferenciais que beneficiavam fortemente os bancos.

O indecente, no meio disto tudo, é que são os nossos impostos, os da classe média, que avançam nestas jogadas.

O indecente, é que ainda ninguém foi chamado à liça por causa desta crise.

O indecente é ninguém ter mandado investigar onde foram empatados os dinheiros dos clientes dos bancos.

O indecente, é as entidade que concedem crédito fácil, entrem VIOLENTAMENTE pelas casas de cada consumidor, desejoso de ter o mínimo que a sociedade de consumo lhe proporciona, e agarra as "ofertas" exploradoras que lhe são feitas enquanto está sentado no seu sofá.

O indecente é o Estado ter deixado de regular os mercados, e ter desregulamentado o que já existia, tudo em nome do lucro e da sagrada mão invisível do Sr. Adam Smith.

O indecente, é nós termos que levar com eles e nada fazer, até novas eleições, quando poderá mudar a cara, mas a merda continuar a ser a mesma.

Isto é tudo tão indecente, que quase chega a raiar a obscenidade e a pornografia.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

6 Meses Depois...

Pois é.



Chegámos a Outubro e, em Castro Verde, reina um silêncio sepulcral acerca de dois assuntos que parece estarem adormecidos mas, pelo menos para mim, não estão esquecidos.

Calhando, o silêncio é para não os acordar, ou melhor, para não despertar consciências acerca dos ditos.

Refiro-me, em concreto ao Inquérito efectuado à população de Castro Verde, que ainda ninguém sabe no que é que deram nem a que conclusões permitiu chegar.



E, o outro, a Cavandela, assunto apenas tocado com alguma frequência pelo Manuel António Domingos, nomeadamente acerca das vicissitudes do site do promotor.

Pergunta: ainda é o mesmo? O capital social é mesmo?
Outra pergunta: Com a actual situação nos mercados mobiliário e imobiliário, e de profundo crash financeiro global, a coisa ainda vai para a frente?

Mais: será que ainda vão conseguir o crédito necessário para avançar, ou pretendem começar a coisa apenas com os 5.000,00€ do capital social da E3Propreties.

Da minha parte, e antes de qualquer resposta, que obviamente não vou ter, apenas aconselho cautelas às entidades oficiais envolvidas, porque a coisa não está de feição a certos negócios.

Á parte disso, peço desculpa por ter levantado essas questões, que não devem ser entendidas como qualquer manifestação de bota-abaixismo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os Passos Perdidos da Esquerda


Devido ao conteúdo, à importância e a actualidade do tema, transcrevo aqui, na íntegra, e com a devida vénia, este texto de Lopes Guerreiro, disponível no seu blogue Alvitrando, in http://alvitrando.blogs.sapo.pt/.


A imagem foi escolhida e introduzida por mim.


Os passos perdidos da esquerda

Os últimos tempos têm sido férteis nas mais diversas declarações proferidas pelas mais diversas personalidades sobre a crise causada pela economia de casino.
É interessante verificar que poucos, ainda, se atrevem a pôr em causa o sistema capitalista e que, quase todos, insistem na sua defesa, limitando-se a apontar eventuais causas para esta nova crise.
É interessante, ainda, verificar que entre os defensores do capitalismo aparecem muitos que se diziam (alguns ainda dizem, de vez em quando) de esquerda e socialistas.
Os que inventaram o socialismo democrático, como Mário Soares, e que se têm fartado de falar em democracia, nada ou muito pouco fizeram para que esta integrasse também no seu conteúdo as componentes económica e social.
Esqueceram-se do patriotismo quando, em 1975, pediram a intervenção dos Estados Unidos da América e conspiraram com a CIA contra a Revolução de Abril.
Hoje, mostram-se indignados com o neo-liberalismo, responsabilizando-o pela crise que o capitalismo está a atravessar, preocupados com o futuro deste mas conformando-se com a sua inevitabilidade.
Os que lhes sucederam, assumiram a terceira via não como a procura de um sistema alternativo e mais justo mas como a melhor defesa do sistema capitalista.
A seguir vieram os defensores da esquerda moderna, como José Sócrates, a quem queima a boca a palavra socialismo e que acha que a esquerda se esgota na defesa das chamadas questões fracturantes.
Vemos assim que desde que Mário Soares meteu o socialismo na gaveta nem ele nem muito menos os que se lhe seguiram de lá o tiraram. Nem mesmo agora. E não é por acaso que mantêm o socialismo engavetado e se esforçam por falar o menos possível dele, é porque o não querem.
Foram inventando os vários eufemismos – socialismo democrático, terceira via, esquerda moderna –, para alimentar, nos que lutam a sério pelo socialismo, a ilusão de que aqueles eram os melhores caminhos ou vias para o construir.
Os que dizem defender o socialismo a sério ou real pouco mais têm feito do que assumir-se como contra-poder, tentando fazer passar a ideia de que basta ocupar o poder para tudo resolver, como se o tempo não tivesse já mostrado que não é bem assim.
Mas nem mesmo nessa perspectiva conseguiram construir uma política de alianças que permitisse alcançar o poder. Têm sido mais eficientes em acentuar clivagens e evidenciar divisões.
Combater nos terrenos e com as armas dos adversários costuma dar vantagem a estes, aos que estão instalados…
Não será desvalorizando as liberdades individuais e ostracizando os que queiram intervir através da reflexão, do debate de ideias e da procura de respostas novas para velhos problemas que a esquerda se afirmará.
A esquerda tem de pensar mais, tem de agir com mais eficácia, tem de arriscar e não se limitar a continuar a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes foram sendo distribuídos.
É doloroso ouvir “socialistas” defenderem o sistema capitalista, reclamando apenas, quando muito, um maior controlo do mercado, quando ouvimos o líder dos patrões, o presidente da CIP, dizer que não se importa que o Estado tenha um papel mais interventor na economia, dirigindo mais o investimento e controlando melhor a actividade privada.
Ao que havíamos de chegar! O grande empresariado a reclamar a intervenção do Estado e “socialistas” a defenderem o sistema capitalista como fim da história, quando até o ideólogo desta inevitabilidade histórica já a rejeitou.
Enfim, não é de admirar que os capitalistas e os apologistas do capitalismo se esforcem por desculpabilizar o sistema apontando culpas a alguns exageros e falta de auto-controle, como se este alguma vez pudesse ser eficaz.
O que é inadmissível é a triste figura que fazem líderes “socialistas”, ao serem mais papistas que o papa, ou seja, ao tentar defender o indefensável.
Esta triste realidade não é apenas mais uma das curiosidades portuguesas. É a realidade que caracteriza actualmente o movimento socialista e a esquerda em quase todo o mundo, mostrando-se, como escreveu José Saramago, incapaz de pensar, de agir e de arriscar um passo.
É neste quadro que alguns “ilustres socialistas alentejanos” se continuam a mover, a defender a falida “terceira via” e outros eufemismos do capitalismo, acreditando que essa é a melhor forma de “vender gato por lebre”.
Até quando as pessoas vão deixar-se ludibriar, atendendo ao local e imediato em detrimento do global e futuro? Até quando vão aceitar como dogmas e inevitabilidades históricas o que a vida se encarrega de mostrar rapidamente como insustentável?
Até lá a esquerda vai perdendo tempo e oportunidades e a “exploração do homem pelo homem” vai-se mantendo, num mundo que, embora nalguns casos mais próspero, é cada vez mais injusto e exclusivo.

Lido na Rádio Terra Mãe, em 8 de Outubro de 2008


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Comércio Local, no Centro da Sua Vida"



Associação Comercial do Distrito de Beja, com a colaboração da Câmara Municipal de Castro Verde, e ao abrigo do Programa MODCOM Acção C, irá implementar acções de Animação, que visam a promoção comercial do centro urbano de Castro Verde sob o lema “Comércio Local, no centro da sua vida”.
Esta campanha, que irá decorrer no último trimestre de 2008, abrange a zona de intervenção definida anteriormente para o programa, nomeadamente, a Praça da República, Praça da Liberdade, Rua Morais Sarmento, Rua Fialho de Almeida, Rua de Aljustrel, Rua Alexandre Herculano e Rua da Feira.Para o próximo dia 2 de Outubro, no Fórum Municipal de Castro Verde, pelas 14.00 horas, está agendado um encontro com os comerciantes da zona de intervenção no qual se procederá à apresentação desta campanha, que terminará em Dezembro com as compras de Natal.


Comentário
Estive presente, e gostei da apresentação e da perspectiva dada da campanha que irá decorrer em Castro Verde.
De salientar, o forte apoio municipal para esta iniciativa, extremamente importante para o comércio de Castro Verde.

Partido Socialista Renova Imagem do Blogue em Castro Verde






O blogue do PS-Castro Verde tem imagem renovada.



Não sei bem há quanto tempo, porque não sei há quanto tempo por lá não passava, tal não era o marasmo que por ali grassava, em textos e ideias.



Uma coisa continua: nada de comentários.



Quem quiser lê mas não comenta, porque não pode.



PROIBIDA A ENTRADA A BOTA-ABAIXISTAS
em pscastroverde.blogs.sapo.pt/

E eu que só queria pedir para não chamarem comunistas, e dizer que são do PCP, à malta da Câmara e das Juntas, porque há por lá alguns que se podem sentir mesmo ofendidos. A sério.

É que apesar de eleitos pela CDU, como independentes, claro, alguns são mais adeptos de uma certa esquerda moderna, têm uma visão mais socraciana, ou socratina, da coisa ... não sei se me estão a entender.

Pronto. Quanto a isto estamos entendidos: ofender não vale!

Mas já se sente no ar o calor da luta que se avizinha. Aquecem-se os motores, e afinam-se as máquinas.

Pelo menos já têm alguma coisa a mais que os opositores mais directos: em matéria de comunicação PS-1 CDU-0
Isto para já não falar nos sediados na Rua das Giestas, que assim já são 5-0

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mais blogs castrenses



Descobri hoje mais quatro blogs sediados em Castro Verde, assinados por Robert Owen (filósofo inglês do séc XVIII/XIX, impulsionador do socialismo utópico, e considerado pai do cooperativismo), e que passo a indicar:


castrogiestas.blogs.sapo.pt/

castro.verdade.blogs.sapo.pt/

vivercastro.blogs.sapo.pt/

castroerdev.blogs.sapo.pt/


Seja bem vindo à blogosfera castrense.

domingo, 5 de outubro de 2008

Sistema Político Partidário - Local

Mas não se pense que o encostar dos partidos, e do debate em que se de deve alicerçar a vida política, é um fenómeno nacional, e que Sócrates é um campeão.

Não. A nível local, verificam-se fenómenos semelhantes, e com aspectos mais caricatos.

Castro Verde é um paradigma.

Em Castro Verde, à excepção do Bloco de Esquerda que, por ser bastante recente, consegue manter uma estrutura política, minimamente activa, os outros partidos, ditos tradicionais, encostaram às boxes por força da aversão que o auto-suspenso Presidente da Câmara Fernando Caeiros nutre pelas lógicas partidárias, como ele próprio reconhece na recente entrevista à Mais Alentejo.

De facto, ao longo de mais de três décadas, conseguiu extrair todo o interesse que luta político-partidária pode gerar na comunidade, com tudo o de positivo que essa luta pode trazer para a evolução das ideias, designadamente, de desenvolvimento local.

Assim, desde há anos, convivemos com um Partido Socialista local que sobrevive com lideres locais de recurso, e se arrasta apoiado no seu eleitorado tradicional, e com um PSD numa situação ainda mais deplorável, com dificuldades manifestas em se afirmar como um partido consequente a nível local.

Quanto ao PCP, e esta é a componente tristemente caricata, por se tratar da força que sempre apoiou Fernando Caeiros, está relegado para uma situação de semi-clandistinidade, por força da verdadeira perseguição que sempre empreendeu aos seus militantes, vedando-lhes os acesso a trabalho no Município, não lhes concedendo as facilidades que notoriamente concedeu a pessoas de outros partidos ou sem adesão partidária.

Basta ver quantos militantes comunistas entraram por concurso para a Câmara Municipal de Castro Verde.

O mais estranho é que Caeiros andou ao colo do PCP, num sistema político que assenta, pelo menos formalmente, em partidos políticos, passou 30 anos a dar caneladas no PCP, e este nunca o deixou cair, antes pelo contrário, ainda o convidou e apoiou para cargos de destaque.

Diz-se por aí, que Évora é apenas uma paragem. Não sei o que se segue. Mas se for com o apoio do PCP, então começo a acreditar que os partidos são completamente dispensáveis nesta nos sociedade, nacional e local.

Sistema político e Partidário

Hoje faz anos a República, veneranda senhora de 98 anos, e que derrubou, ou antes, "abanou" a árvore donde pendia, apodrecido de maduro, o regime monárquico.

Passou por vicissitudes várias.

Os partidos da Primeira República, que emergiram da queda do anterior regime, dado que a sua inexistência era por demais óbvia, e aproveitando a luta árdua dos anarco-sindicalistas, depressa demonstraram o seu carácter repressivo sobre as classes trabalhadoras, muitas vezes com uma violência que atirava João Franco para o painel dos políticos mais brandos nesta matéria.

São nestes partidos republicanos que os Partido Socialista encontra as suas avoengas raízes, e que o actual Primeiro Ministro faz questão de honrar, pelo menos em matéria de retirada de direitos àqueles que nada mais possuem que a sua força de trabalho.

A esta Primeira República, sucede-se o período de quarenta e oito anos de uma ditadura retrógrada e rústica, que, à parte do seu carácter repressivo das suas instituições particulares e peculiares, atirou com este povo para o limbo da mediocridade no qual, ainda hoje, permanece embevecido com as suas pequeninas vitórias, como seja, ser possuidor do maior pepino do mundo, ou ter alcançado um meritório segundo lugar no Euro 2004.

Estes são exemplos de mediocridade, porque se entrarmos nos exemplos das tristezas nacionais, teremos que falar do ministro Pinho, e, aí, desatamos todos a chorar.

Isto tudo para quê?
Como já foi referido o Primeiro-Ministro do Partido Socialista, José Sócrates, faz jus às raízes que o seu partido invoca, e destrói desavergonhadamente o edifício que, ainda antes do 25 de Abril, a muito custo, com muitas lutas e repressão, se foi construindo em matéria de direitos laborais.

Como se tal não fosse suficiente, entretém-se, também, a destruir o sistema partidário, de raiz constitucional, que laboriosamente, e, diga-se em seu abono, os deputados da Constituinte, sabiamente construíram.

Sócrates conseguiu atirar a preponderância da actividade política-partidária para o caixote de lixo, com a mesma veleidade com destruiu o Serviço Nacional de Saúde ou a suplesse com que entrega um Magalhães (essa obra prima da tecnologia informática nacional, refugo das experiências efectuadas na Índia, mas que, graças, à excelente qualidade da nossa indústria de plásticos, parece que aguenta uma bomba), em Vilar de Maçada.

O seu próprio partido, o Partido Socialista, é um não-partido. É mais um clube restrito a quem o Primeiro Ministro, na falta de mais um coelho para tirar da cartola (do género, mais-600-metros-de-linha-de-metropolitano-por-500-milhões-de-euros-que-irão-reduzir-em-33-segundos-o-tempo-que-os-habitantes-de-Alfornelos-levarão-para-chegar-a-Lisboa, ufa!), reúne para se fazer ouvir num luxuriante discurso, de elevada componente tecnológica, que abrirá os noticiários da TV.

Hoje, a segunda muleta do sistema do rotativismo partidário burguês, está quebrada. O PSD está encostado às cordas de um ringue em que lutam dois pugilistas do mesmo clube. E tem levado tanta porrada, que caiu num silêncio sepulcral. E faz sentido. Faz sentido porque a actual líder do PSD, não tem argumentos políticos, ou sequer ideológicos, para rebater quem faz melhor a política que ela própria defende.

Poderia quase dizer, e não o faço para não me acusarem de veleidade verbal, que Manuela Ferreira Leite é a fã n.º 1 do Primeiro-Ministro. Só mesmo Sócrates consegue gostar mais do actual Primeiro-Ministro que Manuela Ferreira Leite.

Mais para a direita, o CDS, partido que funcionava como fiel, ou antes, aquele dedinho maroto com que a tal mão invisível das teorias capitalistas, empurrava inexoravelmente para a direita, os governos, evitando quaisquer veleidades de um Governo de Centro-Esquerda, não passa hoje de uma associação que reúne os clones do seu líder.

Faz lembrar aquelas associações norte-americanas de adoração a Elvis Presley, que aguardam eternamente o seu regresso. No CDS-PP aguarda-se desesperadamente que o líder clone, ou clone líder, atinja o cada vez mais longínquo lugar de Primeiro-Ministro.

Cruzes-canhoto que até se me arrepia a espinha toda só de pensar ... brrr! Afinal estamos perante o "partido da Lei e da Ordem".

Entretanto, e numa perspectiva de erosão do eleitorado social-democrata, tem acesso ao prime time dos noticiários televisivos.

À esquerda do PS, subsistem o PCP, com um historial inegável de luta pelos ideais que defende, e o Bloco de Esquerda, que congregou os desiludidos do PCP, os desiludidos da média burguesia intelectual, para além de pessoas que que, por opções legitimas, não se revêm no grosso da sociedade.

Estes dois partidos têm atenção diferenciada por parte do Governo, no que toca ao tratamento que recebem por parte do poder, designadamente por parte do Ministro da Informação e Propaganda, Santos Silva, que, vindo da extrema-esquerda, corre desalmadamente para o extremo oposto, candidatando-se, quiçá, a cartão de sócio no partido dos clones.

O PCP dificilmente consegue chegar a ser notícia, apesar de ser dos partidos com agenda política mais carregada (porque os há com agenda social com direito a tempo de antena), sendo o eterno ausente dos noticiários nacionais.

Já o Bloco de Esquerda, e na perspectiva de conseguir permitir ratar algum do eleitorado natural do PCP, tem acesso, particularmente o seu líder, às head lines dos noticiários nacionais.

No meio disto tudo os sindicatos, que conseguem mobilizar centenas de milhares de pessoas em jornadas de protesto contra as políticas do Governo, são menosprezados, ignorados e gozados despudoradamente pelo Primeiro-Ministro, em sucessivas demonstrações de arrogância soez com que nos brinda quotidianamente.

Estamos pois, num sistema que assenta na actividade político-partidária, com a particularidade de essa actividade não ser oficialmente reconhecida pelo poder, legitimado que foi pelo voto nos partidos políticos.

200 anos depois, aparece um mediocrezeco qualquer que afirma, a plenos pulmões, e para quem quiser ouvir que l´etat c´est moi (sem ser em francês, obviamente, algo que está muito para além das suas capacidades), e todos nós, seus ouvintes involuntários, ou não, assistimos, vemos, compreendemos e sentimos, e continuamos alegremente sem nada fazer.

Ah, como às vezes compreendo aquela malta da Índia e do Paquistão ...

Entretanto, e à falta de melhor alternativa, lá vamos, timidamente sussurrando, um Viva a República! que nos acalma a alma.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Feira de Castro Vai Manter-se Encerrado

Como disse aqui há uns dias, estava tentado a reactivar o Feira de Castro, e até lancei um repto aos frequentadores deste blog para manifestarem a sua posição quanto a essa intenção, muito embora, sem me sentir vinculado ao sentido do "voto" expresso.
30 dias passados, e participaram 21 votantes, em que um manifestou a sua oposição a tal reactivação, entre cerca de 2000 acessos que entretante se verificaram.

Sendo assim, e não tendo sido demonstrado um interesse que pudesse influenciar a minha decisão no sentido de ali voltar a escrever, vai o Feira de Castro permanecer quedo e sossegado, como um marco que ninguém consegue apagar pela importância que teve na blogosfera castrense partindo os pés de barro de alguns monstros sagrados cá do burgo.
Calhando, esta será uma das melhores notícias que dei a alguns barões que ainda por aí pululam.